sábado, 31 de maio de 2008

Elba, Dominguinhos, Ivete e o Prêmio Tim

Na quarta-feira passada, foi realizada a cerimônia da entrega do Prêmio Tim de Música, e ficamos sabendo quem foram os "grandes campeões", e para minha surpresa Elba voltou para casa de mãos vazias, tinha uma grande certeza comigo que pelo menos na categoria “Melhor Disco – Regional” ela levaria, pelo belo trabalho lançado ano passado, se foi injusto não sei... mais que eu esperava ao menos um troféu isso não tem como negar. Ficou apenas a felicidade de sua belíssima participação, na homenagem ao “mestre” Dominguinhos, que fez bonito na hora de entoar um de seus maiores sucessos “De Volta Pro Aconchego” emocionante como só Elba sabe cantar. Sem esquecer da bela e até inusitada homenagem de Ivete, premiada como cantora nas categorias regional e voto popular, categorias que Elba também concorria, monopolizou os flashes ao exibir cartaz com o nome de ELBA e um coração desenhado, a quem dedicou os troféus ''Ela foi a primeira cantora que vi no palco, cantando, dançando e botando para quebrar. É isso que eu quero ser'', disse Ivete, na saída do Theatro Municipal. O Prêmio valeu mais por esses dois últimos motivos que citei, os demais pontos tiveram sua importância, só que o assunto que mais me interessa é Elba Ramalho.
Parabéns à Dominguinhos pela justa homenagem recebida, à Ivete pela ótima iniciativa e aos demais ganhadores do Prêmio Tim de Música 2008.

Parabéns principalmente à Elba, por encher nossas vidas de alegria e música, com ou sem prêmio!

O Prêmio será exibido(melhores momentos) no domingo 01/06, na rede Globo, logo após "Faça Sua História".

terça-feira, 27 de maio de 2008

Agenda de Junho

01 - Salvador - BA
03 - Franca -
SP
05 - Quixadá -
CE
07 - Santarém -
PA
08 - Macapá -
AP
13 - Jales -
SP
14 - São João da Barra -
RJ
16 - Brasília -
DF
21 - Camaçari - BA
22 - Feira de Santana -
BA
23 - Stº Antonio de Jesus -
BA
24 - Senhor do Bonfim -
BA
26 - Caruaru -
PE
27 - Campina Grande -
PB
28 - Aracaju -
SE
29 - Arcoverde -
PE
30 - Gurjão -
PB

Créditos: Site Oficial

Destaque para o Estado da Bahia, onde Elba fará cinco apresentações, durante os festejos Juninos.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

As garras da Leoa


ELBA RAMALHO por Lucia Souza Junho de 1996

Coragem é palavra de ordem no dicionário de Elba Ramalho. Por isso mesmo não hesitou em pedir rescisão de um contrato de doze anos com a Polygram por pura insatisfação. Leão do Norte, um álbum que reflete em grande estilo suas raízes nordestinas, era um sonho antigo no qual a BMG apostou e pelo visto, não se arrependeu. Tanto que já 'abraçou' outro projeto da cantora paraibana - que na contracapa do disco expões toda sua sensualidade e ousadia - de transformar em disco ao vivo os shows que vinha fazendo em parceria com Zé Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo.



O disco é um resgate de suas raízes nordestinas. Além da vontade de cantar suas origens tinha com este projeto o objetivo de alguma outra conotação política ou estética ?

Busquei o trabalho pela obra, pelos compositores. Não fui selecionando tipo "essa toca no rádio?" ou "essa eu vendo bem ou não?". Chega, me libertei, não quero mais essa espécie de compromisso ! Se eu vender 20, está bem, se for 60, melhor. E se eu não vender nada também não vou me agoniar. Meu desejo sempre foi recriar nossa história, nossas festas, manter viva e acesa a fogueira de São João. Quando sugeri na música que nosso hino nacional fosse "Asa Branca" e nossa bandeira de renda cearense é dessa forma uma utopia. É mais para que as pessoas do Nordeste pudessem se voltar. E naturalmente o Nordeste fez isso, praticamente todas as discotecas viraram casas de espetáculos aonde se apresenta música popular brasileira também. Sinceramente, e não é porque sou de lá, no Nordeste não existe esta distinção de que isso é MPB e aquilo não. O Paralamas vai lá e faz o maior sucesso, assim como um grupo de forró, Chico Science. O espírito do povo é festeiro. Leão do Norte traz uns achados que merecem ser ressaltados. Têm duas músicas de Luiz Gonzaga e uma delas é "Treze de Dezembro", a data do aniversário dele. É um chorinho feito em l953. Gilberto Gil foi passar o aniversário de Gonzagão lá em Exu, em l986 e nesta noite, anos depois, recebeu a inspiração para fazer a letra para esta música. Ouvi Gil tocá-la em l988 e guardei-a na cabeça. Quando fui pesquisar a obra de Gil, Caetano de Dorival Caymmi tinha tanta coisa boa que não sabia o que gravar. Então resolvi seguir o lado do coração.

Sua saída da Polygram teve alguma coisa a ver com esta pressão em torno da venda de discos ? Você chegou a apresentar o projeto deste disco lá ?

Saí porque estava ... (suspira) cansada. Não apresentei o projeto de Leão do Norte lá porque a coisa foi dita: "você vai gravar um disco de baladas". O produtor já estava escolhido e veio logo me dizendo " já estou com cada balada linda". Então não quis discutir porque no disco anterior, Paisagem, a briga foi violenta. Eu dizia que não queria determinadas músicas, me empurraram um axé fake e diziam "vai gravar!". Mostrava as músicas do Lenine e respondiam que "estava por fora". Moraes Moreira eu levei cinco músicas no ano passado, quase que não entrava nenhuma, nada agradava. Não posso ficar numa gravadora em que eu não decido o que vou gravar. Não tenho nada contra a Polygram e nem vou cuspir no prato que comi. Mas veja bem a contradição. Certo dia me avisaram que eu iria gravar um disco chamado Forrobodó com vários artistas cantando música nordestina. Falei, "como ?". Então quer dizer que eu iria gravar um disco de baladas enquanto Wando e José Augusto iam gravar forró. Piração da gravadora ! Achei que o caminho da gravadora estava errado. E acho que eu estou certa. É muito ruim o Forrobodó, não é verdadeiro. Até poderia ter feito um disco de baladas lindo que fosse tocar bem, talvez vendesse muito, mas não era o que eu queria. Não estava sendo bem tratada. Ouvi frases lá dentro do tipo "o Nordeste está por fora". Não acho que o Nordeste esteja por fora, muito pelo contrário, o Nordeste está por dentro, está todo mundo se voltando para a música regional. Até mesmo os rockeiros, funkeiros, é o que chamam de world music, essa mistura de rap com funk in lata, rap com forró, forró com maracatu, maracatu com rock e pronto, dá essa confusão toda. A Polygram agora vira e fala que poderia ter feito o projeto lá, mas tenho a certeza que não poderia. Pelo menos não com a autonomia que tive na BMG.

Teve alguma relação com o que saiu em uma matéria da revista Veja de que a gravadora teria dito que você vendeu cem mil cópias de Paisagem e na verdade foram trinta mil ?

Nunca protestei com a Veja porque nunca dei aquele depoimento à revista e nem ninguém deu. Eu tenho dez discos de ouro e seis de Platina, todos são reais e por todos recebi os direitos autorais correspondentes.

No caso de Paisagem você então recebeu os direitos autorais pelas cem mil cópias vendidas ?

Recebi o correspondente. Não sei ao certo quando Paisagem vendeu, acho que foi em torno de 80 mil cópias. Essa história não existiu, a revista Veja fez por conta dela, não sei dessa história. E inclusive eu já tinha mudado para a BMG quando saiu aquela matéria que, aliás, até desmascarou um pouco a Polygram de certa forma. Fizeram isso porque acharam que na verdade 25 de Dezembro da Simone não vendeu tanto quanto disseram. Tem umas gravadoras que fazem isso, não sei quais são mas acho que existe isso sim. Igual a Netinho que uma disse que antes de seu álbum ser lançando já era Disco da Platina quando na verdade o disco ficou encalhado nas lojas. Existe um negócio aí que não sei bem ao certo o que rola, mas é uma coisa nova que tem acontecido com algumas gravadoras. Essa (referindo-se a BMG Ariola) não faz isso.

Foram quantos anos de Polygram ?

Foram doze anos. Não estava satisfeita, saí por uma questão de ideologia. Em Paisagem me aborreci muito. Fiz, terminei, mas muito aborrecida porque não resolvia tudo no estúdio, musicalmente. Puxa, se não souber o som que quero tirar na música é melhor então ser manipulada! E não sou esse tipo de artista. Venho de uma escola de teatro onde os próprios integrantes liam o texto, costuravam as roupas. Era a gente que bolava o cenário, batia prego, varria o palco. Eu gosto de participar. Não assino nada porque não tenho egotrip para dizer que eu também fui produtora, que eu fiz a luz ou não sei mais o que. Mas as idéias são discutidas com comigo. E em Paisagem não pude opinar. Muitas coisas achei que estavam erradas no disco, porém existia uma oposição que vinha de cima ...Sabe aquela situação em que você sente que não é a estrela, que a estrela é o produtor artístico ? Basta a contradição, um disco de forró com Wando, José Augusto, Tânia Alves, Cássia Eller, Paulo Ricardo e um disco de baladas comigo. Está certo este conceito ? Pra mim tá errado. Resolvi sair de lá por essas contradições. Participei do disco Casa de Samba porque me chamaram e eu fui. Fui por generosidade porque adoro Jair Rodrigues e adoro samba também. Moro no Rio, sou meio carioca. O Flávio José me chamou para cantar forró e eu fui, se o Chico Science me chamar para cantar maracatu eu vou. Vou com qualquer um porque eu quero emprestar, não sou uma pessoa que ficou escolhendo artista pra gravar, seja ele o mais brega ou mais maravilhoso vou lá dar uma força. Você insistiu na pergunta e não sei se ouviu isso da Polygram porque todo mundo tem falado "ela não apresentou este projeto na gravadora". É lógico que não apresentei porque eu não ia ter a liberdade de realizá-lo como eu queria. Tanto é que fizeram esse disco Forrobodó. O tal do Zé Augusto, tadinho, ótimo cantor ficou perdido cantando forró. É lógico que ele ficou tonto e declarou numa entrevista. "Esse negócio de cantar forró precisa ser de lá, né, é meio difícil"(risos). Mas é que tem que ter a alma nordestina e parece que muita gente considera o forró a arte menor no Nordeste. Por exemplo no Prêmio Sharp, a arte maior é a MPB. Aí os jornais publicam as premiações com todas as categorias, menos Regional. Porque é arte do povo é menor (ironiza). Vai alguém da MPB fazer forró pra ver se tem pique e fôlego. Vá lá e faça pra ver se é fácil ser Jackson do Pandeiro. Ele não é menor que João Gilberto em nada. Mas na do critério, o João é que o gênio e o Jackson, coitado, com aquele chapeuzinho de couro, aquele pandeiro, roupinha de matuto... O que é isso ! Luiz Gonzaga é um rei, é tão grande quanto Tom Jobim. Para o meu país ele é.

É verdade que você queria ter gravado "Mama África" e não o fez porque teve um desentendimento com a Daniela Mercury ?

(solta uma gargalhada) Ah... fofocas ! Não teve desentendimento. Veja só, quando ouvi o disco do Chico César, Aos Vivos, liguei para ele dizendo que adorei e já estava ensaiando "A Primeira Vista" e "Mama África". Claro, são as duas músicas que estão no faro das cantoras todas não é ( afirma sorridente). E ele também acertou porque são as músicas que ele está conseguindo tocar no rádio, assim como o "Béradêro". Aí Chico me disse: "Elba, não sei se vai dar porque dei 'Mama África' e 'A Primeira Vista' para Daniela gravar". Na verdade quem descobriu discograficamente Chico César foi a irmã da Daniela Mercury, a Vânia Abreu. Vânia gravou "Templo", que agora está tocando muito nas rádios na voz da Renata Arruda, e mostrou para Daniela. A Daniela conheceu o Chico através de Vânia e pediu para ele a exclusividade nas canções. A exclusividade foi feita verbalmente, de certa forma não existe porque quando um disco está na praça qualquer pessoa pode pegar lá o que quiser e gravar. A editora pode bloquear, é lógico, se Chico se comprometeu e editora obviamente pode embarreirar qualquer outro artista. Eu fique super triste, falei que ele poderia deixar nós duas fazermos. Não quis, então peguei "Béradêro". Ele vem e diz que Zizi Possi já ia gravar esta música. Coincidentemente encontrei com a Zizi na semana seguinte e perguntei se ela se incomodaria se eu gravasse "Béradêro". Zizi respondeu que absolutamente, que ia achar lindo porque ela certamente iria gravar de um jeito e eu de outro. Na verdade eu penso isso, a fofoca foi porque eu falei que acho uma besteira você ficar receoso por alguém já ter gravado uma mesma música. Eu vou cantar "Mama África" nos meus shows e Daniela não vai poder proibir. Vou divulgar para ela a música, certo ? Ela vai gravar e eu divulgo pra ela. A interpretação é diferente, é besteira essa discussão. Daniela até me veio com explicações depois, não fiquei chateada não. E ao mesmo tempo existe um material tão farto de Chico que na mesma hora escolhi outra. Chico está disputado e estou felicíssima, deixa ele ganhar bastante dinheiro. Ele e Lenine, pra mim, são as melhores coisas que a música brasileira ganhou nos últimos tempos. Lenine então, sou ainda mais apaixonada e não teve o boom popular do Chico César.

A BMG tem um mercado latino super potente. Como vai ser a distribuição deste disco na América do Sul ?

Sinceramente, eu teria que parar minha carreira pelo menos uns seis meses para me dedicar ao mercado latino e não consigo fazer isso, sou muito comprometida com shows e mais shows. Só no México agora em setembro farei seis. Mas acho que agora com este disco regional talvez tenha mais projeção neste mercado. Agora, vou lhe ser sincera e mostrar que não 'cuspo no prato que comi, com Devora-me que é um disco que adoro, na época falei e continuo falando que é muito bom, bem feito e produzido, a Polygram foi fantástica. Conheci o mercado latino e trabalhei lá através da Polygram. Hoje se quisesse gravar um disco de salsa poderia chegar em Nova Iorque, cantar amanhã nos clubes mais latinos que têm e com os melhores cantores latinos do mercado porque conheço todos, cantei com eles ano passado no maior encontro latino de Nova Iorque, Combination Latina, para 20 mil pessoas. Só tinha eu de brasileira e foi unânime, eles me trataram muito bem, é um mercado unido, Célia Cruz, Tito Pontes, gravei com Oscar de Leon. Quer dizer, abri milhões de portas no mercado latino com a Polygram, só me faltou tempo. Além da minha carreira, ainda tenho os shows com Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença. Em julho vou gravar um disco ao vivo com eles, só não sei se será no Canecão Rio ou em Recife. Será lançado pela BMG no final do ano. Ao mesmo tempo, veja como a Polygram adora fazer esses negócios, lançou um disco chamado Os Quatro Ases do Forró e aí botou eu, Alceu, Geraldo e Moraes Moreira, porque não tinha obra do Zé Ramalho na casa, meteram Moraes como o Rei de Copas. E até atrapalhou um pouco, porque o Mauro Ferreira do jornal O Globo fez uma matéria achando que era o disco de nós quatro.

Recentemente a tragédia das vítimas de Caruaru, em Pernambuco, chocou o país. E as autoridades não deram e não estão dando a devida autoridade. Já dizia Milton Nascimento que o artista "tem que ser a voz daqueles que não têm microfone". Até que ponto o artista deve agir e atuar como porta-voz do povo ?

Acho que todo artista deve participar sim, até como cidadão, independentemente de ser artista. Já que têm opinião de massa, são responsáveis. Lidamos com muitas pessoas e de certa forma podemos ter maior acesso aos políticos. Acho importantíssimo qualquer pessoa realizar trabalhos sociais e filantropia. Minha preocupação também é essa, a de arregaçar a manga e fazer alguma coisa. Apesar de que, as carreiras são tão absorventes, pelo menos no meu caso. Sinceramente gostaria de ter mais tempo tanto me dedicar mais a minha vida espiritual, fazer mais caridade e uma outra série de coisas. O fato é que o Nordeste sempre foi alvo dos políticos. O que se explora no Nordeste... É uma região fragilizada pela seca, carente e uma região extremamente afetiva. A carência das pessoas é alvo fácil para a exploração humana dos políticos. Quando gravei "Nordeste Independente" fiz todo um discurso de que os políticos, os homens de poder, quando chegam na época de eleições vão pedir votos e não irrigam o Nordeste, a seca continua existindo, entra ano sai ano o sertão continua ao Deus dará, esses casos como o de Caruaru... (suspira indignada) Ah, mas são casos absurdos, a política é uma sujeira. Seja aqui, em Brasília, São Paulo, Rio, Caruaru, na Paraíba... Existem homens e homens, está todo mundo meio mascarado ainda, parece O Baile dos Mascarados, ninguém sabe ao certo quem é anjo ou demônio, está todo mundo tonto ainda, no meio do tiroteio. Mesmo quando eles se revelam demônios continuamos convivendo com eles no poder. Isso pra mim está atravessado. Eles estão lá no poder assumindo cargos de autoridade, a gente sabendo que são ladrões, que exploraram, que roubaram, que mataram e nós não tomamos atitudes definitivas. Por que, eu não sei. Imagine no Nordeste, que dirá em Caruaru se as famílias vão ser indenizadas ? Nunca que vão ! Cadê o Prefeito de Caruaru ? Se lá está assim, imagine como não está o sertão no Nordeste, pior ainda, que neguinho faz, mata e acontece. O coronelismo foi criado por causa disso. E a Reforma Agrária, por que não é feita no Brasil? Não fui ao jantar que José Maurício Machline ofereceu ao Presidente Fernando Henrique em protesto. Numa boa, Fernando Henrique, no dia em que estiver cara a cara vou lhe falar, senhor Presidente, eu votei no senhor mas, com todo respeito, quero lhe perguntar sobre a Reforma Agrária, quando é que vai ser feita ? Quando é que o senhor vai enfrentar os coronéis e assentar o povo ? Meu pai já disse: 'tá maluca de falar em Reforma Agrária !'. Brinquei com ele: "por que, vai doer no seu bolso ?". (risos).

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Um ano da gravação de "Raízes e Antenas"

Há exatamente um ano no dia 19 de maio de 2007, Elba subia ao palco do Auditório do Ibirapuera, para gravar o seu segundo DVD solo, com o show intitulado “Raízes e Antenas” tendo como base o repertorio do CD “Qual o Assunto que Mais lhe Interessa?, que naquela época, ainda não havia sido lançado, gerando ainda mais expectativa em torno de sua gravação. Com direção geral de Lula Queiroga e da própria Elba, cenário de Suzane Queiroz e Thiago Soveral, figurinos de Lino Vilaventura e Eduardo Ferreira e participações especiais de Maestro Spok e Spok Frevo Orquestra, A Trombonada (PE), Gabriel O Pensador, Lenine, Margareth Menezes, Geraldo Azevedo (vetada por G. Vandré), Escola do Auditório, Yamandú Costa e Lula Queiroga. Com certeza foi um grande espetáculo, tendo como referência a Tour “Raízes e Antenas” apresentada em grandes teatros do Brasil. Comemorando um ano hoje de sua gravação, só nos resta torcer para que em breve seja lançado, o tão aguardado DVD.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Projeto especial: Um barzinho, um violão - Novelas anos 70


Elba abriu a primeira noite de gravações do projeto “Um barzinho, um violão – Novelas anos 70”, na noite de segunda-feira (12), ela interpretou “Pompo correio” de Moraes Moreira”, que fez parte da trilha sonora da novela “Sem lenço, sem documento” de 1977. Com Guto Graça Mello na direção musical e Max Pierre (ex-universal) na direção artística, o projeto vai virar CD e DVD até o fim de julho. Essa é a única foto que consegui da participação de nossa estrela, nesse que promete ser um bom projeto.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Ela também coleciona


Católica fervorosa, Elba Ramalho coleciona terços e santos religiosos. A adoração da cantora ás imagens é tão forte que ela construiu um santuário em sua casa em São Conrado, Zona Sul do Rio. Naquele espaço todo pintado de azul e com afrescos sobre o Espírito Santo no teto, Elba reza duas horas todos os dias.

- Se cada pessoa dedicasse mais seu tempo em oração à Nossa Senhora e fosse capaz de amar incondicionalmente, não teríamos um mundo tão descrente e com tantas guerras – profetiza.

Sempre que viaja, a artista ganha e compra acessórios do gênero e os abençoa em igrejas. Se você reparar bem, Elba traz no braço ou no pescoço correntes pulseiras com pingentes sacrossantos. E a afeição da estrela chega além: pesquisadora do tema, ela está escrevendo um livro sobre as aparições de Nossa Senhora, de quem é devota. A publicação não tem previsão de lançamento, em 2001 ela produziu o Cd Coração de Mãe, dedicado a Maria que foi lançado pelo seu selo Ramax e mais tarde pela Som Livre, Elba interpreta duas canções no Cd, que tem participação de grande time da MPB, com um pouco de sorte é possível encontrar o item à venda.

Voto Popular: CATEGORIA - cantora

Já está atualizada à página especial do Prêmio Tim de Música, que este ano presta justa homenagem ao mestre Dominguinhos, nela você pode votar em algumas categorias e no seu artista preferido, e só pra lembrar, Elba concorre na CATEGOTIA VOTO POPULAR – cantora, além de outras duas categorias, que serão julgadas por jurados. Vamos aproveitar a ótima oportunidade e garantir mais este prêmio, para nossa querida estrela.

É super fácil e rapidinho votar, não precisa se cadastrar, basta clicar no link abaixo ir até VOTAÇÃO e marcar (x) ELBA RAMALHO, agora só resta torcer, e aguardar o resultado final.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Elba Forró e Paixão

Elba, flor da Paraíba
Que não murcha ou perde a cor
Elba que ao poeta inspira
Por quem o peito suspira
Elba sorriso, Elba amor
Sol primeiro do Oriente
Que a América ilumina
Rainha da Borborema
Mulata, ruiva, morena
Mulher com ar de menina

Voz que em todas as ondas
No infinito azul se expande
Sensual, meiga, brejeira
É ela a voz brasileira
Deusa de Campina Grande

Elba, brisa matutina
Do litoral ao sertão
Do Brejo e do Teixeira
Do agreste, da ribeira
Cabo Branco a Conceição

Elba, semente viçosa
Do vale do Piancó
Orquídea paraibana
Teu corpo perfume emana
Com o cheiro bom de forró

Cheiro que se faz sentir
No frevo, xote e baião
No arrasta-pé que cantas
Animando a multidão
Levando-a ao paraíso
Por isso eu te batizo
Elba Forró e Paixão

Chico Calda

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Pânico no ar

01/05/2008

Elba Ramalho teve que enfrentar uma das piores experiências aéreas da sua vida para chegar a tempo do seu show na terça-feira, no Teatro Municipal de Bauru. Nos bastidores, a cantora revelou à equipe que nunca havia passado por sufoco parecido, mesmo com todas as horas de vôo que ela já acumulou



Chove chuva
Ela embarcou em São Paulo e, depois de muita turbulência, não foi possível desembarcar em Bauru devido à chuva. O avião seguiu viagem até Araçatuba, onde pegou um táxi. Ela, que esperava pisar em Bauru por volta das 17h, chegou meia hora antes da apresentação às 20h.

Levanta poeira
Mesmo com a viagem traumática, Elba foi uma simpatia com o público. Cantou seus maiores sucessos e depois que o set list havia encerrado pediu à platéia que escolhesse as próximas canções. A apresentação durou cerca de duas horas. No palco, Elba dançou, brincou e contou histórias sobre Chico Buarque.

Intimista
Ela também relatou ao público seus momentos de tensão a bordo do avião e explicou que estava com o rosto vermelho, pois acabara de passar por uma intervenção estética na face. “O médico disse que eu posso cantar, mas não posso sorrir. Imagina, eu fazer um show assim sem dar risada?”, brincou sobre as restrições.

De volta pro aconchego
A paraibana permaneceu no camarim do teatro recebendo os fãs e distribuindo autógrafos por cerca de 40 minutos após o show, mas ela não passou a noite por aqui. Com medo de avião, dispensou o espaço aéreo e seguiu de carro para São Paulo logo na seqüência.

Fonte: Bom dia Bauru

terça-feira, 29 de abril de 2008

Momento paparazzo

Elba Ramalho circula pelo Leblon na véspera de sair em turnê, cantora vai se apresentar pelo interior de São Paulo com seu novo CD, "Qual o Assunto que Mais lhe Interessa"


Elba circulou pelo Leblon, no Rio, na tarde desta segunda-feira, 28. Ela inicia esta semana uma turnê pelo interior de São Paulo. O primeiro show da cantora vai ser na terça-feira, 29, em Bauru. Elba vai percorrer nove cidades paulistas se apresentando com o show de seu último disco, “Qual o Assunto que Mais lhe Interessa”. O novo CD celebra os 29 anos de carreira da paraibana e, graças a ele, Elba foi indicada a duas categorias no Prêmio Tim, que acontece dia 28 de maio no Teatro Municipal, no Rio. Ela concorre nas categorias de melhor cantora regional e disco regional.


Fonte: Globo.com

Prêmio TIM 2008


Acaba de ser divulgada a lista dos concorrentes ao Prêmio TIM de Música deste ano, para nossa alegria Elba concorre em duas categorias e também nos Finalistas Especias na categoria voto popular, reconhecimento mais do que merecido pelo excelente CD lançado no final de 2007 o irretocável, "Qual o Assunto Que Mais Lhe Interessa?".

As indicações e os respectivos concorrentes de cada categoria:

CATEGORIA REGIONAL – melhor disco
Disco/ Artista/ Produtores/ Gravadora
Qual o Assunto Que Mais Lhe Interessa?/ Elba Ramalho/ Lula Queiroga, Tostão Q. e Yuri Q./ Brasil Música.
Os Cocos/ Grupo de Coco Ouricuri/ André Salles Coelho e Tereza Moura./ Independente.
Toda Vez Que Eu Dou Um Passo o Mundo Sai.../ Siba e a Fuloresta/ Beto V. e Siba/ Ambulante Discos.

CATEGORIA REGIONAL – melhor cantora
Artista/ Disco/ Gravadora
Elba Ramalho/ Qual o Assunto Que Mais Lhe Interessa?/ Brasil Música.
Ivete Sangalo/ Ao Vivo no Maracanã/ Universal.
Letícia Tuí/ Sambaião/ Salada Records.

CATEGORIA VOTO POPULAR – cantora
Cantora/ Gravadora
Alcione/ Indie Rcordes
Elba Ramalho/ Brasil Música
Elza Soares/ Biscoito Fino
Fabiana Cozza/ Gravadora Eldorado
Fafá de Belém/ Emi
Fernanda Takai/ Deckdisc
Gal Costa/ Lgk Music
Ivete Sangalo/ Universal
Letícia Tuí/ Saladesom Records
Luiza Possi/ Lgk Music
Márcia Castro/ Independente
Maria Bethânia/ Biscoito Fino
Marina Elali/ Som Livre
Nana Caymmi/ Som Livre
Vanessa da Mata/ Sony/BMG

Obs: O Prêmio TIM será dia 28 de Maio, e este ano estará homenageando o mestre Dominguinhos.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Elba Maria Nunes Ramalho

Santa Cruz do Capibaribe-PE Julho de 1998


A 17 de agosto de 1951 nasceria a protagonista de uma história de batalhas e vitórias...
De uma pequena cidade da Paraíba uma jovem levanta-se para ser diferente de tudo o que seu povo conhecia ou estava acostumado. Sua vivacidade seria um dos dons que a levaria a um novo futuro.
Os sons que saiam dos violões, as melodias que brotavam dos corações de seus compositores começaram a encantar a Elba. Muito além daquela aparência brejeira existia uma estrela, uma voz que clamava por notas musicais e instrumentos e que prometia levar ao país um jeito novo de ser nordeste...
Cantar as belezas, tragédias, lutas de uma região pouco conhecida como o coração ou de seu nordeste de encantos e desencontros políticos, isso era mostrar a tantos quantos necessários que esse chão seco faz correr nas veias de seus filhos e sangue da determinação, da peleja, das festividades, dos verdadeiros São Joãos. E esse mesmo sangue que irriga a alma de Elba e de onde vem também sua determinação por vencer.
Mas a vida não é feita somente de sonhos, devemos torná-los reais na medida do possível e isso ela vem realizando. O vôo de um pássaro é sinal de liberdade e ela queria algo além dos cantos da cidadezinha natal...
Agora no Rio de Janeiro o Cristo Redentor a esperava de braços abertos e a sua volta uma cidade que precisava e pedia para ser “descoberta”, mas esse mesmo Cristo sussurra baixinho ao seu ouvido que para se cumprir uma missão ela teria de estar de braços abertos para as alegrias e dificuldades que a nova vida lhe proporcionaria, jamais cruzando seus braços por simples comodismo, afinal Ele morreu de braços abertos...
O preconceito por ser nordestina foi superado também através da canção bem como os comentários sobre sua beleza exótica, as pessoas não se conheciam tanto como lá na Paraíba, a vida era tão difícil quanto na seca de seu estado, mas ela sabia que podia vencer...
Seu primeiro disco era a promessa de que ela viria pra ficar, mesmo a critica e fazia consciente de que seu trabalho sempre deveria se aprimorar com o tempo começou a fazer amigos, conquistando espaço no coração de uma família musical, nessa família encontramos Zé Ramalho e muitos outros companheiros conterrâneos, todos tendo em comum a migração de seu estado para lutar por algo melhor e percorrer a sua estrada. Elba agora possuía outro ponto de apoio na vida: a fidelidade e a amizade de seus companheiros.
Capim do Vale, Elba, Alegria e os anos passam, vem as parcerias musicais e amizade com pessoas especiais como Lenine, Luiz Gonzaga e outros. Quem não conhecia a força da mulher nordestina, agora sabia que elas eram mulheres determinadas e animadas como Elba.
Aquelas cabelos rebeldes eram a marca de uma voz possante, capaz de levar as lágrimas em uma melodia romântica ou extasiar ao som do bom forró, ela sabe dar vida as canções. Em cada paisagem de fundo de seus discos há algo impossível de não se notar: a transparecia de sua alma de menina com a sensualidade de uma encantadora mulher. Viria Coração Brasileiro, Do Jeito Que a Gente Gosta, Fogo na Mistura e muito mais...
A natureza lhe agraciou com sua voz e a consciência de que sempre é preciso crescer, aprender com as falhas e ser humilde verdadeiramente para admiti-las.
Em sua vida também conheceu amores e desamores, quando sentiu-se preparada a natureza mais uma vez lhe deu um presente mais do que especial: a graça de ser mãe. Luã já podia sentir a energia que a mãe possuía antes de nascer, pois não parou de fazer shows durante a gestação. Era a vida gerando outra de modo admirável, saber viver cada momento com dignidade, serenidade e encanto.
A aprimoração da voz e das músicas isso é bem o estilo de Elba, com ela também seus fãs, inúmeros admiradores e que são apoio fundamental a todo e qualquer artista. Ela lança também nos anos de 89, 90, 91 e 92, fazendo um pedido quase que infantil no disco de 94, Devora-me e mais uma vez os fãs com prazer aceitam tao convite de renovar mais uma vez a fidelidade para com sua “estrela”.
Com sua voz forte e cativante ela assimilou as dificuldades da vida e as devolveu em forma de inesquecíveis canções, isso é saber dar a volta por cima...
Daquela pequena janela materna, de onde via a vida passar quase despercebida, Elba abriu as portas ao mundo e decidiu ir além dos horizontes. Mas ela não esqueceu de sua gente e de suas raízes, sendo fiel como todo nordestino é na dificuldade ou não.
Com fã clube espalhado por todo o país, ela soube a pouco que o pai era pernambucano e seu carisma por esse estado aumentou, também é aqui em Caruaru que se encontra um de seus maiores fã clubes e isso prova a simpatia vai além de suas canções...
As fotos contidas no encarte do Cd Baioque, mostra que ela esta mais em paz do que nunca, vem se dedicando a meditação e já fez experiências fascinantes nesse aspecto. A vida não para, vai um amor vem outro, na vida dela não foi diferente. Só que agora não era um namorico, mas é algo bem mais profundo e ela mais do que ninguém merece. O nome de sua alma gêmea é Gaetano, não se importa com as criticas em relação a diferença de idade entre os dois, pois a vida é curta e perder tempo com preconceitos tolos é bobagem...
Alguém que saiu da Paraíba para conquistar o mundo pela voz, desvendou parte dos segredos da vida, aberta a criticas, encantadora, determinada... isso e muito mais corre em suas veias, arrancando suspiros e alegrias de seus fãs, ela é uma musa inspiradora e não está nessa vida como mera espectadora, mas vem fazendo sua história, cumprindo a sua missão.
Com palavras não é fácil definir o fenômeno, a exuberância e leveza que é a pessoa de ELBA RAMALHO.

Zuleica L. Marcolino.


Texto escrito pela delicada visão de uma grande amiga paulistana de sangue e pernambucana de coração, que não é fã de Elba assim como eu sou, mais é apaixonada pelo nordeste, pelo seu povo e cultura, ela me ajudou a realizar um grande sonho, o de conhecer pessoalmente minha estrela, há exatos dez anos atrás começávamos um trabalho feito com muita paciência, determinação e acima de tudo muito carinho, para presentear Elba de uma forma no mínimo diferente, fizemos uma carta com “150 metros” e “22 mil EU TE AMO”, escritos um a um!

No final tudo valeu a pena, nossas noitadas de dedicação e madrugada adentro os cafés feitos por minha mãe com sua gentileza e incentivo permanente, ao som de Baioque, e a espera do novo Cd daquele ano o Flor da Paraíba, que ainda chegamos a ouvir inúmeras vezes, antes de concluir nossa tarefa. Agradecer o que ela fez por mim naquele ano era pouco, e nunca vou esquecer sua amizade sempre presente e pronta pra ajudar independente de qualquer coisa, nem mesmo a distância vai apagar de nossas memórias os bons momentos que passamos juntos, naquele e em outros momentos de nossas vidas, apesar da distância que hoje nos encontramos nunca te esqueço, te adoro.

A minha irmã Zú.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Elba Ramalho: vítima de virose e não de dengue.


No próximo dia 29, Elba Ramalho começa a turnê pelo interior de São Paulo do seu mais recente disco, "Qual o Assunto Que Mais Lhe Interessa?", que foi lançado no final de 2007. O primeiro show acontece na cidade de Bauru.

A cantora, que mora no Rio, passou por um susto esta semana quando pegou uma virose. Houve suspeita de dengue e o caso chegou a virar notícia na imprensa. O resultado para a doença, porém, deu negativo e Elba está pronta para pegar a estrada.

Fonte: Globo.com

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O Show: Baioque


Elba Ramalho estreou no dia 08 de Agosto de 1997 no Canecão (Rio de Janeiro), um dos seus mais belos shows o ''Baioque''. O espetáculo teve como base o CD homônimo, lançado no mesmo ano pela cantora, que ultrapassou a marca das 200 mil cópias, confirmando a boa fase de seu antecessor Leão do Norte (1996) .
Sob a competente direção de Jorge Fernando, o show explorou o lado circense e teatral da cantora, com números de acrobacias e mágicas e cenário colorido, que lembrava o picadeiro de um circo. ''Baioque'', título de uma composição de Chico Buarque, teve em torno de 23 músicas e duração de uma hora e meia. Elba cantou, além de músicas do CD, sucessos de sua carreira. O show rico em detalhes circenses, não chegou a faturar prêmios mais teve grande sucesso de público e crítica, ela realizou duas apresentações em Dezembro de 97 fora do Brasil, uma em Miami e outra em Pompano Beach, detalhe: as duas apresentações foram completamente lotadas. A Paraibana mais internacional que já se teve conhecimento, deixou claro ao gravar a música “Baioque” para que veio:
"Nem quero saber como se dança o baião/eu quero é ligar, eu quero um lugar/no sol de Ipanema, cinema e televisão." Chico Buarque.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Release: Baioque (11 Anos)


Está certo que o habitat natural de Elba Ramalho é o palco. Ela já sabia disso, quando via os reisados nos terreiros da família no sertão do Piancó, Paraíba do Norte. Basta ver a menina franzina ganhando três metros de altura e acompanhar o raio da faísca de seu olhar refletindo o refletor. A última vez em que a vi assim tão confortável na própria pele postiça foi no show O Grande Encontro. Ela usava uma estrela na testa. Ou era a estrela que usava a testa dela, sei lá. Elba é isso: arroz de festa, quibe de quermesse - nasceu para ser notada, a exibida. Sendo abelha, o palco é a colméia; sendo a rainha, o trono é o palco. Seus pés pisam o tablado com a intimidade difícil de se conseguir até numa alcova: muitas vezes vestida, ela está sempre nua; os sapatos que usa são ilusões de couro, pois no palco ela é toda vez a cantora descalça, e sem meias, vejam bem.
Pois foi do palco que ouvi a notícia de que Baioque - o disco, como se dizia no meu tempo (ou era LP?) ou o CD, como se diz hoje - estava em estado de gestação. Elba cantou S. O. S. e, de repente, eu descobri que Raul Seixas, o profeta do Apocalipse, mesmo tendo andado de carona no disco voador, nunca havia deixado o sertão da Bahia (e ainda está lá, eu juro), podendo ser, como certamente será, um artista de sucesso nas festas juninas da Campina Grande, que ela e eu tanto amamos.
Ao ouvir o disco - o demo, esta gíria tecnológica, que lembra nosso medo ancestral do inferno -, avançando com cuidado entre surpresas e lembranças, vi-me diante da prova de que o teatro brasileiro perdeu uma atriz jeitosa, quando ela deixou a Ópera do Malandro. E, ao contrário do que previam os maus profetas (entre estes não estava, certamente, o Raulzito, mas, para cúmulo dos pecados, o autor destas mal traçadas linhas, sim), a canção popular ganhou uma voz definida e assumida. O lançamento de Elba Ramalho é o de sua maturidade. No palco, reina a cantriz. No CD (eu quase escrevia vinil), impera a cantora, a imperadora, capaz de retomar um sucesso antigo como a canção-título (de seu amigo Chico Buarque) e interpretá-la de um jeito novo e, mais do que novo, seu.
Do capítulo das lembranças consta a fortíssima Vila do Sossego, de Zé Avohai Ramalho Neto. Lembro-me de Elba no palco do Teatro São Pedro, na Barra Funda, em São Paulo, cantando no coro no show de lançamento daquele estrondoso sucesso do compadre nosso e primo dela. Tanto tempo faz. Melhor não contar, para não entregar nossa idade, parelha. Consta também Paralelas, de outro amigo comum, o "violétrico" cearense Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes. Bel escreveu a canção num tempo de dureza e a rejeitava, talvez por considerá-la piegas, mas ela foi sucesso com Vanusa e será de novo com Elba. Porque merece: ao contrário do que pensava o próprio autor, é uma linda página de nosso cancioneiro popular (esta foi caprichada, hein?).
Ednardo, que com Rodger Rogério e Teti, era do Pessoal do Ceará, fez Pavão Mysteriozo também como não quisesse nada, até estourar como faixa da trilha sonora da novela global Saramandaia. A canção, que se encerra com um verso antológico de final de romance de cordel - "eles são muitos, mas não podem voar" -, recebeu uma roupagem solene, comme il faut. Elba, craque em escolher repertório, também sabe, muito bem, encontrar o arranjador certo para a canção bem feita-e-eleita.
Como Baioque, Os Argonautas, de Caetano Veloso, e Vamos Fugir, de Gilberto Gil e Liminha, entram no capítulo extra dos autores da veneração da cantora, que se enturmou na turma certa, quando pulou das tábuas do palco para o bico do laser (eu quase escrevia agulha, gente!). O repertório já dá uma idéia de antologia, que me parece ser a pretensão (no bom sentido da palavra, pessoal) da obra, como ela foi concebida. Geraldinho Azevedo comparece com Tambor do Mundo, só porque não poderia faltar, assim como Alceu Valença, o clown do maracatu, que é parceiro de Geraldinho, mas desta vez preferiu ficar sócio do povo brasileiro (sua Ciranda da Rosa Vermelha é adaptada do foclore).
No capítulo das surpresas, melhor dizendo, da curiosidade, que se opõe à memória, pero no mucho, a Elba, aquela do estúdio, ainda nos brinda com Lenine, que é parceiro de nosso irmão Bráulio Tavares, mas compôs mesmo Relampiano (que dá o toque social do acervo) foi com Paulinho Moska, que está entrando na moda (com todos os méritos, diga-se). Este é ainda o caso de A Música do Nosso Amor, de Saul Barbosa e Jorge Pontual. Antes de subir de volta ao palco, com seus chinelos e seus balangandans, a imperatriz do separatismo nordestino ataca de Zanzibar, escrita por Armandinho e Fausto Nilo.
De volta ao palco-alcova, ela reserva duas faixas para medleys. Uma é de xotes, que ela aprendeu a cantar vendo as umbigadas de Almira em Jackson de todos os Pandeiros. Dominguinhos e Abel Silva comparecem ao forró com Quando Chega o Verão; Pedrinho e Primo, com Até Mais Vê; e Assisão, com a deliciosa, impagável, Pequenininha, própria para ser dançada no Parque do Povo, às margens do vazio Açude Novo, lá na Rainha da Borborema.
E o palco se engalana nos frevos Eu Também Quero Beijar (de Pepeu Moraes Moreira e Fausto Nilo); Chão da Praça (de Moraes Moreira e Fautos Nilo) e a irresistível Gemedeira (o poema certo de Zé Carlos Capinam para a melodia endiabrada de Robertinho do Recife).
O que dizer? Ô, dá-lhe Elba! Olê, olê, olá. E mais: se você, como eu, pensava que a porta da alcova de Elba dá apenas para o palco iluminado, saiba que ela já freqüenta a penumbra dos estúdios de gravação sem maquiagem, como se escovasse os dentes no banheiro de sua mais indevassável intimidade. Se duvidar, ouça Baioque. Ou então me desafie para um duelo a faca-peixeira, que eu vou convidar Zeca Tirbutina de madrinha.

José Nêumanne Pinto
Lançamento do Cd: Maio de 1997, música de trabalho, Ciranda da Rosa Vermelha.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Tá chegando!


Próximo ao lançamento do DVD, coloco aqui um ótimo momento da gravação, a participação especial de Gabriel o Pensador, na música que também deu nome ao novo CD de Elba “Qual o Assunto Que Mais Lhe Interessa?”, gravado em Maio de 2007 no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo.

Agenda Abril


Data: Domingo 27 de Abril
Show: Show Elba (Rádio Eldorado FM)
Horário: 12h
Cidade: São Paulo
Estado: SP
Local: Shopping Anália Franco


Data: Quarta-feira 30 de Abril
Show: Show Elba (Teatro Coliseu)
Horário: 21h
Cidade: Santos
Estado: SP
Local: Rua Amador Bueno, 237 - Centro
Créditos Site Oficial: Elba Ramalho

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Novidades sobre o aguardado DVD, "Raízes e Antenas"

Enfim, foi divulgada a capa do novo DVD “Raízes e Antenas” (prevaleceu o titulo pensado no incío) , a foto escolhida está belíssima e o projeto gráfico um show a parte, o lançamento está próximo, segundo o splash screen que está sendo exibido no site oficial.

sábado, 5 de abril de 2008

Ópera do Malandro (O Filme - 1985)


Com Ruy Guerra na gravação do filme "Ópera do Malandro"

Já consagrada como cantora na década de 80, Elba foi convidada para integrar o elenco do filme “Ópera do Malandro” inspirado na peça de Chico Buarque, que ela também havia participado encerrando sua participação no teatro, para logo em seguida estrear no mercado fonográfico, a própria Elba diz que Chico convidou-a por pura gentileza, e jura ter se esforçado para dar o melhor de si nas gravações, contracenou ao lado de atores experientes, como Ney Latorraca, Cláudia Ohana, e Edson Celulari. Foi um grande momento na carreira de Elba, o DVD da Ópera pode ser encontrado pela internet em alguns sites especializados, e também o CD contendo a trilha sonora original do filme, produtos essenciais para todo fã e colecionar.

Uma cena impagável do filme é o duelo entre Elba e Cláudia Ohana, pelo malandro Max, abaixo o vídeo da música “O Meu Amor”, um clássico da obra de Chico Buarque.


A força da "cantriz"


Com Cacá Roset em "Teatro Ornitorrinco Canta Brecht & Weill".

Então tá. Eu tenho que admitir - teatro é mais ou menos como sexo:
É bom... até quando é ruim.

Kurt Weill